quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

SABIA


SABIA



Do brilho dos olhos,
Da brisa calma,
Da doce alma,
Das flores da saliva.
Sabia de tudo
Da vinda
Da chegada
Quis ser
Capturada
Pelos laços,
A cativa
A implorar
A liberdade
Em teus braços
Nesta tentativa
Evitei o que de teu
Rumava ao meu eu
Mas resisti,
E tanto que,
Num encanto,
Me perdi.

Ao "Diário de uma Paixão"

@ Renata Cordeiro

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

... E DEUS NOS CRIOU PARA QUE NOS AMÁSSEMOS...






... E DEUS NOS CRIOU PARA QUE NOS AMÁSSEMOS...



A noite é linda 
inda palpita no mar 
a lua cheia a se esvair em luar 
Vem, ó minha amada 
e fica linda e sem véu 
como essa lua no céu 

Eu sou o mar 
Ó meu amor, diz que sim 
E vem pousar o teu luar sobre mim 
Vem que todo dia 
cada noite tem um fim 
só para nos separar 

Ai, minha amada 
madrugada chegou 
e a sua luz me diz que devo partir 
Mas meu coração 
não compreende a razão 
de me arrancarem de ti 

É tanta a mágoa 
desta separação 
que já meu corpo chora a falta do teu 
Que esses cantos meus 
são como prantos de adeus 
por me arrancarem de ti 

Vinicius de Moraes

sábado, 13 de fevereiro de 2016

HAPPY VALENTINE´S DAY




São Valentim é um santo reconhecido pela Igreja Católica e Igrejas Orientais que dá nome ao Dia dos Namorados em muitos países, onde celebram o Dia de São Valentim. O nome refere-se a pelo menos três santos martirizados na Roma antiga.
O imperador Cláudio II, durante seu governo, proibiu a realização de casamentos em seu reino, com o objetivo de formar um grande e poderoso exército. Cláudio acreditava que os jovens, se não tivessem família, iam alistar-se com maior facilidade. No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do imperador. Seu nome era Valentim e as cerimonias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens jogavam flores e bilhetes dizendo que os jovens ainda acreditavam no amor. Entre as pessoas que jogaram mensagens ao bispo estava uma jovem cega, Artérias, filha do carcereiro, a qual conseguiu a permissão do pai para visitar Valentim. Os dois acabaram apaixonando-se e, milagrosamente, a jovem recuperou a visão. O bispo chegou a escrever uma carta de amor para a jovem com a seguinte assinatura: “de seu Valentim”, expressão ainda hoje utilizada. Valentim foi decapitado em 14 de fevereiro de 270.
Entretanto, desde 1799 sua data não é mais celebrada oficialmente pela Igreja Católica em função da precariedade de comprovações históricas que levam em questão até mesmo a sua existência. 

FONTE: Wikipédia

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

DE TANTO BATER MEU CORAÇÃO PAROU





DE TANTO BATER MEU CORAÇÃO PAROU



Cada nova sensação, cada novo acontecimento nos surge como uma lufada de ar fresco num cotidiano permeado pelos mesmos odores que aprendemos a conhecer de cor. O cheiro da rotina. O cheiro do medo. O cheiro da certeza. Mas, subitamente, e por uns breves momentos, reaprendemos a respirar. O peito se abre. Os pulmões se enchem de ar e de esperança. E o coração, romantizado até à exaustão, ergue a sua batuta e define um novo ritmo. A vida começa onde o convencional acaba. Alegria. Tristeza. Amor. Dor. Experimentamos um pouco de tudo ao longo desta vida, ou pelo menos, tentamos. Corações expostos sem a armadura que só a vida constrói. A inocência da infância e da adolescência leva-nos a abrir o peito a tudo e a todos sem pensarmos nas infecções que provocam e que só o esquecimento ensina a sarar. Alguns batem somente para receber, como senhores de reinos místicos e desertos. Outros vivem em permanente saldo negativo, dando sem parar e jamais recebendo a recarga necessária à sua sobrevivência. Sempre me perguntei por que se associa o amor ao coração humano, em especial se considerarmos a diferença entre aquilo que pulsa dentro de nós e as suas desencantadas representações nos cantos das páginas que guardam os nossos segredos. Se amamos com o corpo todo, por que só o coração ganha o mérito? Mesmo destruído, se impõe como o vencedor. Talvez por que seja o único órgão sem o qual não podemos funcionar? Talvez. Ou talvez por que não passa de um emaranhado de sangue, nervos e convulsões, como tudo o que é autêntico? Provavelmente. Tudo em nós ama e só depois de mortos é que temos autorização para deixar de o fazer... somos seres orgânicos a quem foi concedida a bênção de pensar. Todo o resto é química, seja lá o que isso for. Por que sorrimos? Por que choramos? Por que contemplamos a nossa própria mortalidade? Por que amamos? Tudo é inexplicável e, talvez por isso, tão belo... Procuramos significados onde não existem. Exigimos que nos apresentem um roteiro que possamos seguir indiscutivelmente. Voamos sem asas. Sonhamos sem dormir. Amamos sem sentir. As fórmulas científicas de nada servem. Aquilo que sentimos ultrapassa a nossa vontade. Vivemos presos. Alguns, prisioneiros dos seus pensamentos, outros dos seus sentimentos. Sofrimento inglório, impossível de combater.De tanto bater o meu coração parou. Bateu vezes demais e eu nunca deixei de lhe exigir mais e mais. Cada paixão, cada expectativa, cada sonho o levava ao limite de batidas. Depois, a realidade batia à porta e me obrigava a tropeçar e, por uns instantes, era-lhe permitido descanso. Até que certo dia ele se apoderou do meu calendário, e, desde então, uma sobrecarga de emoções obrigou-o a parar. As coisas boas misturaram-se com as más e tudo deixou de fazer sentido. Ainda revejo e sinto o último batimento. Depois nada... E a brisa transformou os dias em semanas que cresceram para meses. Nada... Os elogios tinham gosto de areia. No peito nada se mexia. Os beijos faziam comichão no céu da boca. No peito nada se mexia. Os golpes, por mais dolorosos e profundos que fossem, eram mastigados como chicletes e deitados fora antes de perderem o sabor. Mas no peito tudo permanecia no mais profundo silêncio. Até que surgiu a recarga elétrica que parecia fraca demais para reanimar fosse o que fosse. De repente, gritaram-se palavras de amor. O corpo agitou-se na sua infinita dança de sedução. Ambos exigiram que aquele saco de sangue amorfo e ridículo renascesse. Uma batida de cada vez. O compasso de uma música sem fim à vista. E assim, o que jazia morto se reergueu. Acordou, olhou em volta, e apesar de não ter gostado do que viu, insistiu em continuar a sua música. Mas, como tudo o que regressa, voltou diferente do que quando partiu. Bate agora frágil, meio vazio e desconfiado. Mas bate... e segue batendo. Numa fração de segundo que durou uma vida, o meu coração parou. Até que se lembrou de que nasceu para bater e decidiu que só pararia quando não houvesse nada no mundo pelo qual valesse a pena cantar a sua melodia. Ainda há muitas conquistas e mágoas por comandar. Quando já nada mais houver para sentir, então aí terá chegado a hora do descanso merecido e duradouro. Até lá... apenas viver. Batimentos ritmados... pulsações descompassadas... melodias excêntricas e incertas... até o fim... até o último acorde vibrar... até a música deixar de ter história e as notas perderem o som...



Mensagens de Amor

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

VIVER



VIVER


Se leva o prazer à dor
e se a dor leva ao prazer
viver é tão-só correr
eternamente ao redor
da esfinge de todo amor!

É muito esquisita a esfinge
e o seu rosto não se atinge...;
mas em segredo eu o vi,
é a esfinge esqueleto em si,
todo amor a morte extingue.

ÁNGEL GANIVET (1865-1898)

Tradução de Renata Cordeiro

domingo, 15 de março de 2015

A ELE



A ELE


Era a idade lisonjeira
na qual é um sonho a vida:
era a aurora feiticeira
da juventude florida,
na satisfação primeira.

Quando sem rumo vagava
no campo mui silenciosa
e, escutando, me alegrava
com a rola que entoava
sua queixa lastimosa.

Melancólico fulgor
a branca lua esparzia
e a aura ligeira mexia
com sopro murmurador
a tenra flor que se abria.

E eu me alegrava! O rocio,
celeste lamentação,
o bosque denso e sombrio,
a tranqüila paz do chão,
o manso correr do rio,

e da luz da lua o alvor
e a aura que então murmurava
e ia acariciando a flor,
e o pássaro que cantava...
Tudo falava de amor!

E trêmula, palpitante,
no delírio extasiada,
tive uma visão brilhante,
como o ar aromatizada,
como as nuvens flutuante.

Ante mim resplandecia
qual um astro em seu fulgor,
e com louca fantasia
ao fantasma sedutor
tributada idolatria.

 Pensei ouvir seu acento
no canto daquelas aves;
auras eram seu alento
cheias de aromas suaves,
sua casa o firmamento.

Que ser estranho era aquele?
Anjo ou homem, qual então?
Deus, Lusbel, o nome dele?...
Como se chama a visão?
Ah! Chama-se...! Apenas Ele! [...]


GERTRUDIS GÓMEZ DE AVELLANEDA (1814-1873)
Tradução de Renata Cordeiro

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

TRIBUTO À PRIMAVERA - A QUE NASCE E RE.NASCE NOS CORAÇÕES, EM QUALQUER ESTAÇÃO - COM AMIZADE, CARINHO, AMOR, COMPREENSÃO.







TRIBUTO À PRIMAVERA - A QUE NASCE E RE.NASCE NOS CORAÇÕES, EM QUALQUER ESTAÇÃO - COM  AMIZADE, CARINHO, AMOR, COMPREENSÃO.

Fácil trocar as palavras

Difícil interpretar os silêncios

Fácil caminhar lado a lado

Difícil saber como encontrar-se

Fácil beijar o rosto

Difícil chegar ao coração


Fácil apertar as mãos

Difícil reter o calor

Fácil sentir o amor

Difícil conter a sua torrente

Como será o interior de outra pessoa?

Quem o saberá sonhar?

A alma do outro é distinto universo

Com o qual não há comunicação possível

Com o qual não há verdadeiro entendimento

Nada sabemos da alma alheia

Sabemos da nossa e mesmo assim

A dos outros são olhares

São gestos são palavras

Com a suposição

De alguma semelhança no fundo


Desconheço o autor. Em diversos espaços é  atribuído a Fernando Pessoa, e eu tenho cá minhas dúvidas quanto a esta *atribuição*. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A SOLIDÃO E O ETERNO DESENCANTO DO HOMEM



A SOLIDÃO E O ETERNO DESENCANTO DO HOMEM

Solidão,
Aqui estão as minhas credenciais,
À tua porta, venho batendo
Já faz algum tempo
Acho que passaremos juntos por temporais,
 acho bom que tu e eu nos vamos conhecendo.

Cá estou
O que tenho são as minhas cicatrizes
Palavras sobre papel pautado
Faz ouvidos moucos ao que dizem
Tu me acharás
Em tudo o que eu não digo.

Já passou
Já deixei para trás o que denigra
A ilusão de que viver é (in) dolor
Que estranho que sejas tu
Quem me acompanhe, solidão
a mim, que nunca me soube bem
estar sozinho.

***

Espera-me!!! 
ouve ele ao longe...



quinta-feira, 20 de novembro de 2014

NAVEGO EM MARES




NAVEGO EM MARES


Navego em mares inda
Incertos de uma amizade linda
Feita de imagens sons alentos
Todo dia no cais me sento
Bem cedinho atenta espreito
Esperando que o vento
A água
Me trague
Ecos, lamentos
Para trocas, correspondências
No anonimato pouco desvelado
Tudo repousa na confiança
Na honestidade, no desejo
São entrelaçados liames, laços
Beijos se sucedem aos abraços
A verdadeira, pura amizade
Tão-só enseja sinceridade
Quem a dá ganha em Beleza
Refletida no Coração, na Alma
Alegria, Paz, Conforto, Calma
Certeza, Confiança, Esperança

domingo, 9 de novembro de 2014

DENTRO DE MIM



DENTRO DE MIM


Dentro de mim existe um coração
e lutar contra ele é pura ilusão.
Existe um sentimento
que não pode ser levado pelo vento.
Existe a saudade
e ela é pura realidade.
Existe o amor
que caminha com a dor.
Existe a esperança
tão frágil, tão criança.
Existe a lembrança da paixão
que foi luz, não foi escuridão.
É que, simplesmente, existe você e existo eu,
um sonho que dentro de mim ainda não morreu.

@ Renata Cordeiro

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

DENTRO DE MIM





DENTRO DE MIM



Dentro de mim

navegas como um barco

incerto, à deriva

Ondas gélidas e enfurecidas

que vêm e vão

nessa turbulência

eu, que me fecho em ostra,

fazendo um esboço em minha face

de um sorriso esmaecido,

açoitando em minha alma essa solidão

momento insone em que lágrimas

fazem arder as minhas retinas

em gotículas que ferem como agulhas

dentro do meu coração

num choro compulsivo dessa lembrança

Dor que ainda sinto daquele Adeus

desmoronando em cada arrebentação.





domingo, 12 de outubro de 2014

FADA AZUL



FADA AZUL

Psiu…! É primavera
As borboletas se agitam aqui e ali

Com seu vestido vaporoso
ela cintila... como uma deusa
Lindas borboletas azuis voejam no vento

Se perto das nossas clareiras
você conseguir esconder-se
Talvez apareça uma fada
A fada de vestido-borboletas

domingo, 5 de outubro de 2014

FELIZ DA VIDA







FELIZ DA VIDA


Sem me importar, sigo por aí.

Feliz da vida. Feliz o tempo todo.

Com coisas pra acertar na vida. Mas feliz.

É só correr, é só querer. A gente consegue tudo o que quer.

É bom ter o que se quer.

É bom sentir o que se quer.

É bom ser feliz.

E andar por aí sem me importar.

A vida é bonita.

E isso não é uma poesia.

É só um texto.

Só um post.

Só para documentar minha felicidade.

E partilhá-la com vocês.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

NÃO PODE O LÓTUS FLORIR DE NOITE



NÃO PODE O LÓTUS FLORIR DE NOITE


Não pode o lótus florir de noite
Nem a lua brilhar durante o dia
Apenas o teu rosto
Consegue realizar essa magia
***
Poema da Índia Antiga
Autoria desconhecida

Trad. por Jorge de Sousa Braga,  "Rosa do Mundo"

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

SOFRIMENTO



SOFRIMENTO

Em teu sofrimento
Já não vês a luz
No lugar do pranto
Ponho essas flores
Do luar ao nascente.
Tu umedeces o seu perfume
Sou a flor da tua felicidade
Vem com ternura,
E te desvelarei a minha essência*

@ Renata Cordeiro